O DEUS DA DOR


E estava ele lá, caído, fétido.
Desmanchando em sangue e dor.
Ele que outrora era a panaceia dos covardes,
Ele que vomitava o futuro desbravar das mentes,
Pois apenas ele poderia livrar os bastardos da injúria e permissão.

Os invejosos se debruçavam em sua sabedoria,
Os inglórios cantavam loas ao Deus da Dor,
Com cânticos e danças, com terra e chamas, pois ele era único.

O seu mijo era saboreado como se fosse o néctar do olimpo.
Ele era o bastante, ele era o total de todas as somas,
Ele era o resultado de todas as perdas, ele era.

E estava ele lá, caído, fétido.
Agonizando com o engasgo do seu próprio sangue coalhado
E ninguém se quer o viu, ninguém se quer ouviu.
Ahhh, miseráveis sem ritmo, nem tom, sem cor, nem feição,
Que sugaram até a última gota de sua vida
Como um carrapato na orelha de um cachorro doente.

Pobre excremento esquecido do pudor, duvidosamente acreditado.
Foi assim que acordou dos teus sonhos na madrugada cinzenta.
Imóvel sob o infinito azul, ele padece e parece apenas dormir
Até chegar o último golpe da foice, da besta Da morte.

Gemendo, gemendo e gemendo.
Numa orgia frenética de dores alucinantes.
Ele apenas assiste ao desmame da vida.
Sobe e vê o seu corpo dilacerado ao chão, agora tudo é brando.

E estava ele lá,

Caído,

Fétido.

O Deus da dor.

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Bruno Kaoss

Um apaixonado por todas as formas de expressões artísticas, em especial a Música. QUESTIONADOR... Adoro divulgar informações e promover debates sobre questões sociais, econômicas, políticas, ambientais e culturais.

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