Vida após a Morte



É um equívoco pensar tanto na vida como na morte em termos absolutos, tomar uma e ignorar a outra. Ambas são fases intrínsecas da existência humana. A vida flui eternamente em grandes ondas, alternando com a morte — indo e vindo — através do tempo. Sakyamuni (o primeiro Buda) percebeu isso recordando o fluxo das suas próprias vidas. Sua doutrina não era qualquer doutrina romântica da imortalidade surgida de uma vontade de viver. Pelo contrário, ele percebeu que a vida é eterna porque a Lei de Causa e Efeito ordenou as suas próprias séries de existências. No seu conceito, a morte ocorre para que possa haver uma nova vida. Sua função é como a do sono, que é um período de descanso antes de um novo despertar.

Essa ideia é expressada no capítulo do Sutra de Lótus dedicado à vida eterna de Buda, no qual a morte é vista como um expediente, não para ser ignorado, pois é subordinado à existência. Essa visão é, em muitos sentidos, um hino à vida que, no entanto, não nos obriga a evitar ou esquecer a morte. O objetivo do Sutra de Lótus — como o de Sakyamuni — é o de nos capacitar ao gozo da alegria da vida sem ignorar a natureza e a essência da morte.
Portanto, diferentemente do espiritismo, no budismo, a reencarnação (transmigração, segundo o budismo) não se dá para aprimoramento dos espíritos; é uma seqüência natural da vida, um ciclo permanente. Por outro lado, a Lei de Causa e Efeito a que se refere o texto não tem conotação moral. Trata-se do princípio da causalidade segundo a qual todos os fenômenos provêm de causas e condições.



Autor: Daisaku Ikeda
( Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa )
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Bruno Kaoss

Um apaixonado por todas as formas de expressões artísticas, em especial a Música. QUESTIONADOR... Adoro divulgar informações e promover debates sobre questões sociais, econômicas, políticas, ambientais e culturais.

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